segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Órgão ou teclado?

Robert L. Marshall, "Orgão ou teclado? Prescrições instrumentais nas fontes da música de Bach para teclado".

Se eu fosse descrever os trabalhos do Marshall com uma expressão simples, diria que se baseiam no uso sistemático do bom senso. Com duas pequenas evidências - o fato de que os compositores barrocos compunham para órgão sem exigência de uso do pedal e de que a maioria das indicações de instrumentos feitas por Bach são ambíguas, ele quer mostrar que muitas obras atribuídas ao cravo e seus assemelhados, por conta da indicação klavier, foram concebidas como obras para órgão.

Começando pelas Toccatas, consideradas obras para o cravo, por exemplo, ele mostra que a extensão das escalas utilizadas coincidem com as disponilibilidades de vários órgãos usados pelo Mestre. Ele vai sugerindo, na prática, que a obra para órgão é muito mais ampla do que sugere o catálogo BWV.

Sobre o instrumento ideal de Bach, ele afirma:

“Uma quarta esfera de atividade musical, uma fundamental para todas as outras, era a instrução na arte da música, tanto a performance com sua criação. Era aqui que os músicos do tempo chegaram tanto quanto lhes era possível produziam música em seu próprio nome, onde não servia a nenhum outro propósito que não a auto compreensão e a própria perfeição. O único instrumento apropriado para tal objetivo era um teclado (keyboard), por conta de sua capacidade harmônica e contrapontística. O teclado mais apropriado, paradoxalmente, não era nenhum instrumento em particular, mas o ‘clavier’, com sua característica universal: um manual com a extensão de C até c’’’, independentemente do fato de estar ligado a tubos ou cordas. Era para esse ideal, ainda que ‘universalmente’ disponível meio que Bach criou obras que haveriam de servir, como ele pôs na página título do WTC, ‘para o uso e proveito da Juventude Musical desejosa de aprender, assim como um passatempo para aqueles já hábeis nesse estudo’. “ (págs 236-237).

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